terça-feira, 24 de maio de 2011

Financiamento Público à Homofobia


Durante seu décimo nono dia, o mês de maio do ano vigente foi marcado por mais uma decisão polêmica dos nossos representantes governamentais. O ministro da educação, Fernando Haddad, juntamente com uma bancada composta por deputados católicos e evangélicos (lembrando que não são de todas as denominações), decidiu por distribuir um kit informativo para estudantes do ensino médio de todo o Brasil contra a homofobia.

Este projeto, denominado “Escola sem Homofobia”, será composto por um kit com: caderno que trabalha o tema dentro das salas de aula, boletins, cartazes, materiais para gestores e vídeos, a fim de buscar a compreensão e reflexão dos alunos sobre o tema. Este kit só será distribuído às escolas após análise e aprovação do MEC. (...vale salientar que o MEC atualmente não está sendo um bom parâmetro para aprovação de nada; ver post anterior).

Ministro da Educação - Fernando Haddad
A problemática envolvida neste cenário ocorre quanto à exclusividade evidenciada que os homossexuais estão tendo na sociedade brasileira. Qual a diferença entre o preconceito sofrido de um negro, de um gordo, de um pobre, dos nordestinos, para o preconceito sofrido aos homossexuais? Expliquem-me! Porque até agora, não vi serem distribuídos em nenhuma escola, cartilhas educativas a favor de nenhum desses grupos. Preconceito é preconceito, seja ele a qual grupo social for. Então, nada mais justo do que ser formulado um kit contra o preconceito em geral e não somente a um grupo exclusivo.

Como esse kit será distribuído para serem discutidos em aula, digamos que certo dia o professor queira passar um vídeo do kit de forma a avaliar seus alunos, e um desses alunos apenas não queira assisti-lo. O que será feito? Obrigar o aluno a assistir? Prejudicá-lo em sua nota? Onde ficam agora os direitos desse aluno? Visto que todos só falam em direitos, direitos e direitos, e esquecem-se dos seus deveres como cidadãos de respeitar o próximo.

O que a maioria das pessoas não conseguiu enxergar até agora é que quanto mais se discute algo em relação a preconceito, mais este é aguçado. Aqueles que não são preconceituosos continuam não sendo, porém aqueles que têm certa rejeição sobre, intensificam ainda mais sua desaprovação, e assim a revolta está criada.
Encerro aqui minhas palavras com uma citação do vice-presidente da Frente Parlamentar Evangélica, deputado Anthony Garotinho (PR-RJ): “Nosso desejo é que o material não seja incentivador de qualquer opção sexual. Isso é um assunto de cada um e o dinheiro público não pode financiar a opção sexual de ninguém”.

Abraços.
E aí?

11 comentários:

  1. O kit é um tanto quanto polêmico, o importante é evitar o bullying sobre isso, e respeitar a opção sexual de quem quer que seja sem preconceito. Esse tipo de assunto na minha opinião deveria ser abordado apenas pelos pais.

    http://duo-postal.blogspot.com

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  2. É Daltinho.. essa tema e o kit são bem polêmicos mesmo...Concordo com você quando falas que deveria ser um kit contra o preconceito em geral, e realmente, não são somente os homossexuais que sofrem com esse tipo de crueldade. Me dói ouvir coisas preconceituosas a respeito das pessoas. Eu gosto de pessoas, sejam elas que orientações, peso ou cor que elas tenham! O que importa é gostar do ser humano, e talvez a evolução, até mesmo da humanidade, deveria começar por ai, gostar e respeitar as pessoas pelos que elas são na essência sem pre-julgamentos... Eu sou meio utópica, e acredito num mundo mais feliz! rsrsrsrs mas é que eu não quero perder a esperança no mundo e evolução das pessoas! =D Adorei o post! Beijos

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  3. Muito bom o texto, caro amigo. A evolução da compreensão do Direito à Igualdade já se iniciou nos Tribunais Superiores muito recentemente (antes tarde que nunca), com o reconhecimento jurídico da união homoafetiva. Nesse caso, foi preciso criar jurisprudência para romper uma interpretação tirânica da lei. Mas concordo com você: romper micropensamentos inquisitoriais é um trabalho de consciência cultural coletiva que deve sim passar pelas instâncias de Poder, mas por outro lado transcende cartilhas ou manuais. Como o tema me desperta interesse e estudo sob a ótica jurídica, só uma sugestão:as correntes mais vanguardistas (avançadas e a frente do tradicionalismo) afirmam que melhor que referir-se como homosexualidade ou heterossexualidade em relação ao já decaído termo "homossexualismo" (de semântica patológica), melhor ainda é referir-se como homoafetividade e heteroafetividade, termos criados pela maior autoridade brasileira sobre o tema, a prof.ª Maria Berenice Dias. Avante nas análises, somos seres pensantes.

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  4. Sobre o Antonhy, prefiro a convicção de que ele perdeu a oportunidade de calar-se. A manifestação do político foi preconceituosa, travestida de relevância do "interesse público" - não sei se você reparou. Porque, analisando o quadro em seus pontos isolados, em tese, financiar cartilhas na boa intenção (mesmo equivocada)de defesa de uma minoria oprimida seria o mínimo diantes do financiamento de mansões, contas no exterior, passagens aéreas para clãs nepotistas e cuecas samba-canção abarrotadas de dinheiro sujo - e bote sujo nisso.

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  5. Silmara, também concordo com você e não acho pecado nenhum ser utópico quando a questão tratada é de um melhor respeito ao ser humano.Continue sendo assim, não apenas utópica, mas realizando ações que demonstrem o seu respeito para com o outro. Gabriela, obrigado, primeiramente pelo comentário, e também por sua sugestão quanto ao uso do termo homoafetividade. E no que se refere a citação do Antonhy, a analisei de forma extremamente isolada - apenas ESTE pensamento. Pois, caso fosse realizar uma análise holística de sua carreira ou dos nossos diversos representantes públicos, creio que depois poucos eu poderia citar. Obrigado e abraços.

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  6. Infelizmente isso tudo é "jogado" para a população como uma estratégia para que os mesmos desviem o foco da atenção. Como sabemos nosso Dignissimo Ministro da Casa Civil, Antônio Palloci, teve seu patrimônio aumentado absurdamente através da sua empresa de consultoria. Vou perguntar a ele o segredo do sucesso...

    Lana

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  7. Post muito bom, Dalton! Parabéns mesmo :D
    Não se pode favorecer nenhum grupo social, em detrimento de outro grupo social. Afinal de contas, os dois principais grupos, de certa forma citados no post, religiosos e homossexuais, diferem de pensamento a respeito da homossexualidade. Então, por que não são apresentadas as duas visões sobre o assunto às crianças?! Por que apenas um kit contra a homofobia e não contra qualquer tipo de preconceito?! E por que não levam em consideração que esse kit pode influenciar crianças em formação?!
    São perguntas ainda sem resposta, talvez.
    E vale salientar que respeitar não quer dizer concordar, mas sim saber conviver com as diferentes opiniões e atitudes.
    Fiz um compêndio sobre preconceito também, mas não é sobre o kit. É a minha visão sobre a revolta do grupo que defende o que kit, depois da suspensão de mesmo =P

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  8. Também discordo desses kits, ninguém lutou comigo quando eu tive que driblar os comentários quanto ao meu excesso de gordura, ninguém fez uma cartilha que deveria respeitar os obesos, muito menos incentivaram que eu recebesse mais comida do que os outros, pois era especial.

    Ah, me poupem! Eu não vou sair por aí dizendo que não gosto de homosexuais, o que é mentira, pois tenho muitos colegas que são, mas também não quero incentivar ninguém a ser homosexual. Para isso já existe a Globo e com seus programas "descolados".

    Quando estorou a epidemia de AIDS, ninguém ensinou como é para se contaminar. Mas houve uma educação para se EVITAR e como lidar com as pessoas que têm. Do mesmo modo deveria ser essa campanha. Contra TODO TIPO DE PRECONCEITO, aliás. Educar, ensinar o certo. Se a pessoa escolher ir em diração contrária, terá suas consequências.

    Daqui a pouco vai ter até campanha para "adotar um ladrão" já que existem incentivos para se fazer o que é errado.

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  9. Para complementar as informações sobre este polêmico tema, hoje (26/05), a Presidente Rousseff, cancelou a produção e proibiu a divulgação dos materiais contidos no kit gay.
    Para saber mais, acesse: http://g1.globo.com/vestibular-e-educacao/noticia/2011/05/governo-nao-fara-propaganda-de-opcao-sexual-diz-dilma-sobre-kit.html

    Abraços.

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  10. Show de bola, velhão!
    Sempre se superando. Nunca perco uma nova postagem!
    Abração!

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  11. Olá, vim retribuir seu comentário de dou de cara com um excelente texto. A idéia é boa e ao mesmo tempo desnecessária já que " eu " acho que esse ensinamento em primeiro lugar deveria vir de casa. E me sinto até envergonhada por que me pleno século XXI é necessário ter que se fazer projeto pra ensinar as pessoas a respeitar a opção dos outros. Mas fazer o que?

    Grande abraço,

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