terça-feira, 1 de novembro de 2011

A justiça meritocrática

Tendo sua origem oriunda do latim (mereo) e por significado "merecer", "obter", a palavra meritocracia significa - a partir do seu sufixo "cracia" - uma ideologia implantada num sistema de governo d'uma nação, onde as premiações e/ou punições dadas a um indivíduo são concedidas após o reconhecimento de suas atividades executadas. Embora com esse conceito restrito a um sistema governamental, hoje adota-se a meritocracia num sentido mais amplo: para organizações, empresas e até em tomada de decisões individuais.
Nas mínimas atitudes da sociedade vigente, podemos enxergar o dedo da meritocracia. Por exemplo, ao realizar uma prova de concurso público, apenas os que atingiram as primeiras pontuações são os escolhidos; por mérito à prova realizada. Ou quando numa loja, um funcionário ganha uma comissão mais elevada do que os outros pela sua maior eficiência na venda do produto ao cliente.
Um dos principais argumentos adotados em favor da meritocracia é que esta proporciona maior justiça na decisão a ser tomada, tendo em comparação outros sistemas hierárquicos, pois não tem como base de escolha sexo, cultura ou posição social do indivíduo, além de estimular positivamente a competitividade.
Contudo, além de toda justiça apresentada em sua teoria, a meritocracia não é bem implantada socialmente, fazendo-se valer ainda o status e poder aquisitivo do cidadão a receber o bônus. No décimo primeiro dia do mês de abril deste ano, a Academia Brasileira de Letra (ABL) concedeu a Ronaldinho Gaúcho a medalha Machado de Assis - a maior honraria dada pelo país aos intelectuais escritores, pensadores e pessoas que possuem elevada propriedade na língua portuguesa.
O prêmio adequado/justo seria algo relacionado a profissão do jogador! Mas por conduzir uma bola, embaraçá-la entre as pernas e sem ler se quer um livro na vida, Ronaldinho Gaúcho ganha um prêmio que muitos doutores, professores, escritores, pessoas como eu e você, nunca vamos ganhar em três vidas. Pessoas que irão estudar, contribuir com a cultura da sociedade e morrer anonimamente, enquanto outros - abastados - serão homenagiados as nossas custas. É isso que o Brasil chama de meritocracia? São a partir dessas atitudes tomadas que o desistímulo a educação e cultura no Brasil aumenta, e cada vez mais crianças e jovens preferem conduzir uma simples bola de ar do que ler um livro e estudar.



Abraços.
E aí?

3 comentários:

  1. Essa instituição (ABL) começou a decair no momento em que concederam ao incopetente liguístico José Sarney um lugar dentre os imortais. Com essa agora, a academia acaba de perder o último fiasco de credibilidade que tinha. Parabéns pela postagem, velhão.

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  2. Concordo que o prêmio dado a Ronaldinho foge completamente à meritocracia por escapar do âmbito de sua atuação, como você mesmo falou. Seria realmente mais adequado premiá-lo por contribuições ao esporte, por sua performance no campo. Não sei se ele nunca leu um livro, como você disse, e na verdade quem se dedica ao estudo ou à literatura por amor não precisa da medalha Machado de Assis: a literatura é sua própria medalha. No entanto, é inevitável o gostinho de injustiça no fundo da língua. Por que não laurear um grande professor de cursinho que faz seus alunos amarem a disciplina, por exemplo? ou que consegue bons resultados de turmas carentes de tudo? que consegue motivar candidatos à bandidagem a tocarem harpa, participarem de concursos literários, entrarem num grupo de ilê? Isso, sim, é benefício à cultura e, em especial, à vida dessas pessoítas às quais faltam tantas referências. Beijos e sucesso no blog! Fernanda (http://lugarzito.blogspot.com/2011/11/mostrar-o-silencio.html)

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  3. Nossa luta é pelo direito ao mérito conquistado na raça e por isso reconhecido justa e proporcionalmente ao nosso esforço e resultado. Excelente post - tipicamente seu.

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